Viagem 12/2006-01/2007 - Parte IV
Delhi a nova, Delhi a velha
14 de Janeiro de 2007 às 23h 13m · Andrês ·
Vindos de Rishikesh, chegamos a Delhi depois das 22:00h. No dia seguinte nos encontramos no hall do hotel para conhecer a capital do país. Existe a Velha Delhi, onde prevalecem os hábitos, arquitetura e costumes antigos e a Nova Delhi, construída pelos ingleses na primeira metade do século XX onde estão o palácio do Governo, o Parlamento, os prédios das embaixadas, as lojas e bairros mais elegantes. Ali não estão permitidas as vacas nem os bici-rickshaws. Trata-se da Delhi cosmopolita, moderna, que pulsa ao uníssono com os tempos atuais, onde as antigas regras e tradições tornam-se menos rígidas, sofrem adaptações e até se perdem diante do intenso bombardeio dos valores ocidentais.
Nessa parte da cidade visitamos o Portal da Índia, um monumento para honrar o soldado desconhecido (os indianos participaram a serviço do exercito britânico da primeira guerra mundial), tiramos fotos do edifício do Parlamento, e entramos em dois templos: um da fé Ba´hai e outro da religião Sikh.


O templo Ba´hai é mais famoso. Sua forma de flor de lótus o torna uma atração turística de primeira ordem assim como um local de peregrinação para devotos de todos os credos. As fotos não fazem jus à sua beleza. Num amplo gramado, pontilhado de flores, o templo se ergue soberano em sua grandeza e beleza. Ao entrar, recebemos instruções para manter um estrito silêncio. Assim a atmosfera introspectiva despertada pela ampla abóbada interior ganha especial intensidade.

Uma vez que o nosso guia era sikh, pudemos visitar o templo principal desse grupo religioso sobre o qual desconhecemos quase tudo em nosso país. Surgido como uma dissidência do hinduísmo, o Sikhismo conta com dez mestres ou profetas e mais um texto que é tratado como o décimo primeiro profeta. Para entrar no templo precisamos tirar não apenas os sapatos mas também as meias. Além disso, recebemos um lenço para cobrir nossa cabeça. Foi divertido nos ver nesse visual de “piratas”. Percorremos o templo onde os cânticos acontecem por longas horas e onde as pessoas podem acomodar-se para passar alguns momentos meditativos.



Como templos não faltam em Delhi, ainda visitamos –na parte velha da cidade– a Mesquita. Um amplo edifício onde nas datas comemorativas reúnem-se mais de 25.000 pessoas para rezar e realizar as suas práticas religiosas. Construída de arenito vermelho ela é a maior mesquita da Índia.


Outro ponto alto foi a visita ao memorial de Gandhi, o pai da pátria indiana e o mais conhecido expoente da não-violência. Respeitado tanto por muçulmanos quanto por hindus, seu corpo foi cremado com madeira de sândalo, como sinal do enorme valor que ele teve e do profundo aprecio dos indianos pela sua pessoa. As suas cinzas foram espalhadas por diferentes lugares da Índia mas em Delhi se colocou uma pedra negra como memorial. Uma chama permanece eternamente acessa, lembrando-nos desse Mahatma (grande alma) e de sua mensagem de respeito, tolerância e fraternidade.

No final do longo passeio… ainda encontramos tempo para fazer umas comprinhas!
Marcamos às 20:30 para termos uma ceia especial para despedir quatro pessoas que não irão nos acompanhar até o Nepal. Duas delas voam para Londres e as outras duas retornam para o Brasil. O jantar, numa área muito bela do hotel, transcorreu alegre pois somos um grupo muito divertido mas também teve momentos muito significativos quando compartilhamos nossas emoções: o prazer de estarmos juntos, o valor de tudo que vivemos, a dor de nos separar…







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Bandhara – Pagando um almoço para os sadhus!
14 de Janeiro de 2007 às 15h 39m · Andrês ·
Na cultura indiana, entende-se que toda ação provoca resultados. Quanto mais ela beneficiar a mais partes da criação, melhores resultados ela provocará. Assim, o cultivo de ações fraternas de ajuda e caridade são valorizadas e estimuladas.
Quando uma pessoa enfrenta situações desagradáveis, ela pode (além de fazer tudo ao seu alcance para modificar a situação) intensificar o numero e a qualidade de suas ações construtivas visando provocar uma mudança naquilo que o universo lhe apresenta.
Entre as ações, algumas são especialmente propiciadoras de bons resultados. Os cinco principais grupos são: as ações de reverência e entrega a Deus, as de ajuda e apoio aos pais, as que ajudam a divulgar o conhecimento espiritual, o serviço aos seres humanos e, por último, o serviço aos animais e às formas de vida vegetal.
Tradicionalmente, na Índia, cuidar de um sadhu é visto como uma ação extremamente meritória. Os sadhus podem ou não ser pessoas de grande sabedoria. Mas o respeito e a reverência a eles são vistos como um valor fundamental para a vida social. Eles lembram que a vida tem um sentido espiritual, que a satisfação dos desejos mundanos não trazem a felicidade definitiva, que a mente é superior ao corpo, e muitas outras coisas. Mesmo que noventa e nove entre cem sadhus sejam apenas mendigos sem grande espiritualidade, eles merecem ser cuidados, protegidos e respeitados porque aquele um entre cem que atinge a sabedoria traz tantos benefícios a todos que o investimento feito pela sociedade é largamente recompensado.
Explicando isso aos membros do grupo, os convidei a organizar uma Bandhara ou, em outras palavras, a pagar um almoço para 100 sadhus. Eles gostaram da idéia de ver tantos sadhus, de poder fotografá-los e, ainda, de estarem fazendo uma ação meritória.
Assim, combinei com o ashram do Swami Dayananda a organização da Bandhara. Eles cuidaram de tudo, desde o convite aos sadhus até a preparação da comida, uma vez que há formas tradicionais de fazer a Bandhara.

Chegamos às onze, meia hora antes do horário marcado. Os sadhus já estavam chegando. Fomos cumprimentar o Swami que administra o ashram e depois, cumprindo com educação as necessárias formalidades, entramos no templo para apresentar nossos respeitos ao único Deus representado na forma de Shiva e fomos ver o Ganges –que corre junto ao ashram.


Chegamos às onze, meia hora antes do horário marcado. Os sadhus já estavam chegando. Fomos cumprimentar o Swami que administra o ashram e depois, cumprindo com educação as necessárias formalidades, entramos no templo para apresentar nossos respeitos ao único Deus representado na forma de Shiva e fomos ver o Ganges –que corre junto ao ashram.

Mas como mudar isso era impossível nesse momento, elas ficaram tirando fotos enquanto os homens atendíamos aos sadhus. Eles cantaram uma oração antes do início do almoço, comeram em pratos feitos de folha de bananeira e, no final, mais uma vez, entoaram mantras de louvor e de benção.



Não pude tirar fotos deles pois os estava servindo, por isso tenho poucas imagens para colocar junto com esse texto. Mas guardo em minha mente as longas barbas, os olhares serenos, as rugas dos rostos e a força da renuncia que eles encarnam.


Depois da Bandhara almoçamos no ashram. Alguns aproveitamos para comer ao estilo indiano, sem talheres, com a mão direita. O cozinheiro ficou feliz, pois muitas vezes sua comida resulta difícil para os ocidentais que ficam no ashram. Antes de deixarmos o ashram, mais uma vez cumprimentamos o Swami e partimos para arrumar as malas. Em poucas horas deixaríamos esse lugar mágico que é Rishikesh levando para sempre a lembrança dos maravilhosos momentos que vivemos na terra dos Rishis, no lar dos Sábios.
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Kunjapuri e os cumes nevados
13 de Janeiro de 2007 às 23h 35m · Andrês ·
Ontem nós vimos as montanhas que formam o início dos Himalayas… mas, cadê os cumes nevados? Hoje, fazendo algumas alterações nos planos originais subimos até o templo de Parvati (a deusa da montanha, a esposa de Shiva) num viagem de uma hora desde o hotel.
Novamente as paisagens durante o percurso foram impactantes. Mas desta vez surgiu um elemento novo, para condimentar a experiência: a estreiteza do caminho em sua parte final. Chegando no alto de uma montanha a estrada foi encolhendo até permitir a passagem de apenas um carro e, ainda, beirando um precipício de dar frio na barriga!


Ao descermos do ônibus, uns trezentos degraus (muitos mais! segundo alguns membros do grupo) nos levaram até um pequeno templo na cima de uma montanha. Nele uma mulher aceitava nossas oferendas e dava uma benção. Porém (que Parvati com seu coração maternal nos perdoe), a estrela desse momento não era o templo, era a paisagem dos picos nevados dos Himalayas!

Ficamos um bom tempo contemplando a vista e tirando muitas fotos. Num terraço ao lado do templo, uma família indiana fazia um piquenique e também tirava fotos. Os macacos, sempre presentes, pulavam de galho em galho.



Por alguns instantes me afasto do grupo. Minha mente saboreia esse momento. Quanto ansiei por essa vista no início de minha vida espiritual! Com a mente cheia de histórias maravilhosas de yoguis e sábios que viviam nessas montanhas sagradas, quantas vezes ansiei estar em sua presença, vê-las com os meus próprios olhos! Hoje, mais velho e mais maduro, consigo observar o intenso prazer presente em minha mente ao realizar o seu desejo e, ao mesmo tempo, desfrutar a tranqüilidade inalterável de saber que Deus é uniformemente onipresente e que, portanto, tudo é identicamente sagrado. Como na imagem das Upanishads, o passaro no galho mais alto (mais velho, mais sábio) contempla, sereno, o pássaro no galho mais baixo, que canta e come e se agita e briga e revoa inquieto entre as folhas e flores do mundo.
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No caminho dos Himalayas
13 de Janeiro de 2007 às 16h 24m · Andrês ·
Rishikesh é a porta dos Himalayas. A partir dali peregrinos hindus fazem diversos roteiros percorrendo templos e cidades de especial valor religioso. Daqui a um mês começa a nevar e o caminho que sobe até as cidades mais distantes chega a ficar fechado durante a parte mais fria do inverno.
A uma hora de ônibus de nosso hotel fica um lugar de especial beleza tanto pelas sua natureza privilegiada quanto pela existência de uma caverna onde vários yoguis meditaram no decorrer dos séculos. Chama-se Vashishta Goofa ou a Caverna do Sábio Vashishta.
Saímos às 10 da manhã num dia de céu azul, sem névoa. O caminho serpenteia entre as montanhas beirando o Ganges (sempre o Ganges!). As paisagens são lindíssimas. As montanhas, o verde de algumas ladeiras cultivadas, o sol refletido nas águas do Ganges…


Durante o percurso paramos diversas vezes para tirar fotografias. O grupo está unido e a confiança que construímos se manifesta ao fotografarmos. No inicio da viagem solicitávamos, com certo distanciamento, “a gentileza de tirar uma foto”. Agora já pedimos: “Tira uma foto minha, mas que apareça o rio à direita… e também essa árvore à esquerda… e avise quando for tirar para eu abrir os olhos que o sol está forte… e segure o botão sem mexer a câmera até a foto aparecer na tela”.







Depois de muitas fotografias espetaculares, chegamos ao local onde foi construído um pequeno ashram para zelar pela caverna. Descemos até o nível do rio e encontramos a entrada da caverna. Pego pela mão cada membro do grupo guiando-os até perto do altar onde as densas trevas são afastadas pela chama imóvel –impressionantemente imóvel– de uma lamparina de óleo. A caverna é pequena mas o silêncio que reina nela é infinito! Podemos ouvir nossa respiração e tanta quietude nos coloca num estado onde fica difícil fugirmos de nós mesmos. Alguns ficam alguns minutos, outros ficam mais tempo. Cada um respeitando o seu momento: não há cobranças ou julgamentos nesta viagem. Depois, muitos chegarão a mim para comentar da profundidade do silêncio, da força desse momento.
Ao sair da caverna vamos para a margem do Ganges formada por areia branca e pedras. O sol brilha forte, o que é especialmente agradável no inverno. Deitamos nas pedras, caminhamos descalços pela areia, molhamos os pés na água que desce das montanhas, estamos introspectivos, o silêncio da caverna ainda nos nutre. Escuto as águas do Ganges e lembro de Sidharta, no famoso livro de Hermann Hesse, quando passa anos aprendendo a ouvir sem distorcer a voz do rio, a voz da natureza, a voz da alma…



Ao deixar o local, subimos uns 50 metros até a estrada, onde o ônibus nos aguardava. Um sadhu descalço que vinha subindo parou para pousar para as fotos (e receber uma esmola).

Nosso grupo, vibrante e presente, antes mesmo de chegar na caverna decidiu que iria fazer rafting nas águas do Ganges. Nessa época do ano as suas águas deslizam placidamente e o rafting não passa do nível dois, transformando-se quase que num passeio de barco.
Assim, ao voltar da caverna, paramos num acampamento onde recebemos o equipamento e roupas adequados assim como toda a instrução de como remar seguindo os comandos do nosso guia. O grupo se dividiu para caber em dois botes.




Esse passeio não estava programado mas foi uma das coisas mais divertidas que vivemos na viagem. Percorremos 11 km desde um lugar chamado Brahmpuri até perto do hotel em Muni Ki Reti.



Contemplamos a bela paisagem desde o leito do rio, vimos templos, macacos, sadhus e passando por dois rápidos que chacoalharam nosso barco pudemos sentir no corpo as frias águas do Ganges. Os que estávamos remando na frente, ficamos ensopados para gargalhada geral dos demais! Ao chegar no hotel que delicia que foi o banho quente!
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Rishikesh: Religiosidade à beira do Ganges
12 de Janeiro de 2007 às 22h 39m · Andrês ·
Rishikesh fica aos pés dos Himalayas e nas duas margens do Ganges. Uma ponte pênsil, une as duas margens.

Muitos ashrams e templos se espalham pela pequena cidade, alguns centenários outros recém estabelecidos. Alguns são pequenos, outros bem grandes; alguns quase desconhecidos, outros famosos como o do Maharishi, guru dos Beatles!
A cidade é totalmente vegetariana. Nenhum restaurante ou barraquinha de comida serve qualquer tipo de carne. Tampouco servem álcool. Sua marca é a espiritualidade, em todas suas formas ediferentes escolas convivem fraternalmente.
O Ganga é o coração da cidade. Suas águas límpidas e frias descem das montanhas nevadas e iniciam uma longa viagem atravessando a Índia de oeste a este. Assim como em Varanasi, em Haridwar e em muitas outras cidades que se erguem em suas margens, também em Rishikesh o rio Ganges ou Ganga é um dos focos da vida religiosa.

Num entardecer frio, de céu limpo, nosso grupo percorria a principal rua de Rishikesh quando vimos que uma cerimônia iria começar. Descendo as escadarias que levam ao rio, nos acomodamos entre uma multidão de pessoas entre as que se destacavam as crianças em suas roupas cor de açafrão.

A estátua de Shiva sobre as próprias águas do Ganges é a representação de Deus utilizada no culto. Um swami de longas barbas conduz a cerimônia que consiste em muitos cantos e algumas oferendas de flores e velas ao rio.

As vozes das crianças e seu cantar entusiasmado aquecem o coração de todos os presentes. À medida que o sol vai cedendo lugar à noite misteriosa, os cantos parecem tocar lugares escondidos do nosso peito. Mesmo não entendendo as palavras sânscritas que compõem os hinos, sua força devocional deixa nossos olhos marejados de lágrimas.



Quando a cerimônia termina, voltamos ao hotel para tomar um banho bem quente. No caminho, alguém verbaliza com a intensidade de um profundo desejo realizado: “Foi para isso que vim até aqui! Para ver a espiritualidade indiana em toda sua força”.
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Rishikesh… agora em Hotel!
12 de Janeiro de 2007 às 18h 20m · Andrês ·
Saímos de Delhi bem cedo para pegar o trem das 7:00 h rumo a Rishikesh. Os trens são uma das três coisas que os indianos reconhecem como herança positiva deixada pelos ingleses. As duas outras são: a língua inglesa, que constitui um ponto de união entre etnias e grupos que falam línguas e dialetos diferentes; e a estrutura governamental que, ainda que burocrática e lenta, permitiu a organização e o gerenciamento do estado indiano.
Durante a viagem, garçons servem chá e refeições –como num avião– ainda que tudo (os alimentos e sua apresentação) seja muito mais simples e rudimentar. Mas o engraçado é que servem muitas vezes: ora um chá com bolachas, ora uma sopa, ora uma refeição completa, depois mais um chá preto… Parece regime de engorda! E falando de engordar, uma pesquisa recente feita entre os membros do grupo demonstrou um fenômeno curioso: as calças de quase todos encolheram significativamente desde a nossa partida do Brasil!
Mas voltando ao trem… Chegamos à estação de Haridwar depois de aproximadamente quatro horas e meia. Um ônibus nos esperava para levar-nos até Rishikesh, a 27 km de distância, e quase uma hora de viagem –dada a quantidade de trânsito que tivemos que enfrentar ao atravessar Haridwar primeiro e uma parte de Rishikesh depois.
Antes de deixar Haridwar paramos para ver a estátua gigante de Shiva. Com a sua permissão, continuamos nossa viagem.

Em Rishikesh sempre ficamos num ashram. Ashram é o lugar onde algum mestre ou um conjunto de monges vive seguindo diferentes rotinas espirituais. Em geral são lugares extremamente simples e rústicos –até mesmo para o baixo padrão de vida indiano. Em alguns não há água quente, outros têm quartos coletivos, alguns mantém rígidas práticas de austeridade, outros tem poucos recursos de higiene, os quartos de quase todos os ashrams costumam ser muito quentes no verão e muito frios no inverno e por ai vai. Nós sempre ficamos num ashram que oferece uma estrutura excelente …em se tratando de um ashram!
Mas, os participantes das nossas viagens acharam sempre que era uma exigência maior do que o desejado permanecer muitos dias no ashram. Devo confessar que eu era um dos principais entusiastas de permanecermos no ashram pois ele representa a Índia espiritual viva, o lugar onde se comunica o ensinamento tradicional. Mas, deixando o meu romantismo de lado e dando ouvidos às pessoas, conclui: de que vale estar num lugar como esse se as pessoas têm que gastar toda sua energia para lidar com o desconforto ou até mesmo com eventuais resfriados e gripes?
A questão é que, dessa vez, decidi que o grupo iria ficar num hotel. Eu não conhecia o hotel que escolhemos e tinha minhas dúvidas sobre a conveniência de fazermos isso (aquele romantismo adolescente persistente). Assim, precavidamente, durante a viagem de ônibus, lembrei às pessoas que o hotel sem dúvida seria mais confortável que um ashram, mas que não tivessem muita expectativa uma vez que Rishikesh era uma pequena cidade, com uma infra-estrutura pouco sofisticada, etc., etc.
A questão é que, quando chegamos ao hotel tivemos todos uma surpresa extremamente agradável! O hotel, que começou a operar há apenas onze meses, não apenas era belo mas extremamente confortável e muito bem equipado.


Mais ainda, o restaurante do hotel oferecia vários tipos de comida e todas de uma qualidade excelente.
Os que já viajaram para Rishikesh devem lembrar do Restaurante Italiano, onde comíamos quase sempre, porque achávamos a comida muito boa (em comparação com as outras possibilidades disponíveis). Pois bem, quando as pessoas deste grupo almoçaram lá, acharam a comida horrível! Elas tinham o padrão desse novo hotel. Dessa forma, penso que o problema de hospedagem em Rishikesh (que nos fez reduzir o tempo de permanência nesse belo lugar) está plenamente resolvido!

Assim, a partir de agora, poderemos aplicar a Rishikesh o mesmo princípio que sempre usamos na visita a todas as cidades da Índia: Ficar em bons hotéis onde possamos descansar com muito conforto e alimentar-nos adequadamente. Assim nos recuperamos plenamente depois das visitas de cada dia e podemos usar toda nossa energia em absorver as muitas coisas que a Índia nos oferece!
Vejo na minha mente as carinhas das pessoas que sentiram mais dificuldades durante sua estadia em Rishikesh e esta mudança em nosso roteiro parece ser uma forma de lhes oferecer um alívio restrospectivo!
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Delhi – de passagem
12 de Janeiro de 2007 às 09h 04m · Andrês ·
De Varanasi voamos para Delhi. Depois de perambular por cidades históricas e religiosas, de volta a uma grande metrópole!
Aqui há semáforos! E os carros andam em pistas separadas! E quase não se vêem vacas nas ruas! Parece um outro país.
O luxuoso hotel em que ficamos tem uma decoração ultra moderna e todos os recursos e requintes da vida ocidental. Nele, nossa mente culturalmente condicionada sente-se muito próxima de seu ambiente habitual.

Mas trata-se de uma passagem rápida (voltaremos a Delhi em alguns dias para conhecê-la mais a fundo). Chegamos no final da tarde e sairemos amanhã bem cedo rumo a Rishikesh, ficando apenas algumas horas. Mesmo assim, todos aproveitaram a localização central do hotel para sairem rapidinho pelas ruas (e lojas) da capital da Índia.
Que diferença do momento da chegada! Agora tudo parece familiar e todos se sentem confiantes para ir, para vir e para pechinchar bravamente em cada compra!
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