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	<title>Instituto Isvara:   BLOG DA VIAGEM À ÍNDIA 2008</title>
	<link>http://blog.isvara.com.br</link>
	<description>Uma realização do Isvara - Instituto de Yoga e Vedanta</description>
	<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 12:59:40 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
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		<title>Viagem em jan/2005</title>
		<link>http://blog.isvara.com.br/111/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Dec 2006 08:41:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila</dc:creator>
		
		<category>Escritos Antes da Viagem</category>

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		<description><![CDATA[O começo da Viagem - 13/01/2005
Depois de uma longa viagem até o outro lado do planeta, o cansaço não foi capaz de segurar as pessoas do nosso grupo de se lançarem de imediato às ruas de Delhi, a primeira das muitas cidades e vilas que conheceremos em nossa viagem a Índia. Depois desse primeiro contato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O começo da Viagem - 13/01/2005</strong></p>
<p>Depois de uma longa viagem até o outro lado do planeta, o cansaço não foi capaz de segurar as pessoas do nosso grupo de se lançarem de imediato às ruas de Delhi, a primeira das muitas cidades e vilas que conheceremos em nossa viagem a Índia. Depois desse primeiro contato com o mundo exótico de formas e cores que se misturam numa dança rodopiante que hipnotiza os sentidos, partimos para Jaipur, a cidade Rosa, na manhã seguinte. É desde aqui que escrevo esta carta. Terra mágica de palácios imperiais, onde a vida acontece em tempos paralelos. Aqui, modernos carros circulam pelas ruas, ao lado de carros puxados por camelos; elefantes imensos e lentos complicam o já tumultuado trânsito, enquanto vacas passeiam livres e soberanas por ruas e avenidas.</p>
<p>A cidade é vigiada do topo de uma montanha pelo palácio que hospedou nos séculos passados todo o poder da realeza. E até ele subimos, montados em elefantes - decorados com colorida filigrana - chacoalhando a uns três metros de altura e imaginando os sentimentos de todos aqueles que, seguindo o rei, fizeram antes de nós o mesmo caminho.</p>
<p>Dentro do palácio vimos maravilhas impossíveis de descrever com palavras: Mármore entalhado, portas com incrustações de pedras e marfim formando os mais delicados desenhos; longos corredores estreitos; historias de amor e riqueza&#8230; Consegue, por exemplo, imaginar um salão coberto de pequenos espelhos que multiplicam por mil a imagem da colorida bailarina que de noite - segurando pequenas lamparinas em suas mãos - tenta agradar o rei com seus movimentos sensuais?</p>
<p>Aqui, em Jaipur, vimos construções feitas por um rei astrônomo para medir o movimento dos astros e conhecemos o maior relógio de sol do mundo. Em apenas três dias tiramos tantas fotografias que muitas pessoas já esgotaram os filmes ou cartões de memória de suas máquinas fotográficas!</p>
<p>E as compras? Nesta primeira parte da viagem, parece que estamos nos preparando para o mergulho espiritual no desapego, esgotando de vez os nossos impulsos consumistas! De fato, tapetes incríveis hipnotizam alguns enquanto a mais fina seda encanta outros,<br />
pequenas jóias e bonecas típicas dividem o espaço das malas com as paschiminas e os elefantinhos de madeira – tudo comprado depois de longas e divertidas negociações para fazer cair o preço inicial, pedido pelo vendedor, à metade ou ainda menos!</p>
<p>Mesmo envolvidos nessas transações, já pudemos beber do néctar espiritual em lugares de tremenda energia como o templo de Lakshmi, onde assistimos a uma cerimônia (puja) e recarregamos nossos corações com os<br />
fortes sentimentos despertados pela invocação dessas imagens arquetípicas.</p>
<p>Amanhã bem cedo, partiremos para visitar o Taj Mahal e outros importantes monumentos que atestam o incrível poder da vontade humana.<br />
A viagem está no começo e, aos poucos, os cenários irão mudar. Os símbolos do poder cederão lugar ao símbolo do amor humano - representado pelo Taj Mahal - que sutilizarão ainda mais à medida que nos aproximamos de Varanasi e Rishikesh, onde os sadhus e os swamis são tão presentes quanto a lembrança dos marajás o é aqui, no estado do Rahjastão.</p>
<p>Assim que possível voltarei a escrever. A agenda lotada de atividades a cada dia e a lentidão da internet indiana, impede-me de escrever com mais freqüência. Mas será uma alegria compartilhar com vocês um pouco de tudo que estamos vivenciando por aqui.</p>
<p>Recebam todos um grande abraço!<br />
<em><br />
<blockquote>-Professor Andrês</p></blockquote>
<p></em></p>
<p><img src="http://www.isvara.com.br/blog/grupo2-emjaipur.jpg" alt="Grupo nos Palácios de Jaipur" /></p>
<p><strong>O contato com palácios e com o incrível Taj Mahal - 17/01/2005</strong></p>
<p>Ontem, num longo dia, que parece ter saído da lâmpada mágica de algum gênio oriental, pudemos caminhar pelos corredores centenários de palácios de arenito vermelho, apreciar a riqueza material e artística que fez com que a pedra bruta se transformasse em belíssimos blocos de mármore onde brilham incrustações de pedras preciosas; onde os fantasmas de Rajas (reis hindus) e Sultões (reis muçulmanos) ainda exalam a sua aura de riqueza e poder; onde os muros cobertos de incrustações de turquesa, lápis-lazúli e coral, parecem sussurrar historias de princesas, haréns, eunucos e os eternos dramas do amor humano.</p>
<p>Não menos majestoso do que os palácios centenários de Fateh Pur Sikri e do Red Fort - mas certamente de formas muito mais delicadas e harmoniosas - o Taj Mahal abriu seus braços para acolher o nosso grupo, que pôde se encantar com o Símbolo do amor humano para alguns, expressão do apego ao impermanente para outros; o Taj ergue seu corpo de mármore branco sob o azul infinito do céu, justificando plenamente seu titulo de uma das sete maravilhas do mundo. Chegamos de tarde e pudemos vê-lo se cobrir com os tons do anoitecer. As primeiras estrelas nos encontraram, contemplando suas formas enquanto o guia ainda relatava a sucessão de eventos palacianos que ocasionou a sua criação.</p>
<p>A ver tais monumentais trabalhos de uma minúcia infinita, de um cuidado impressionante, onde a perfeição é a medida, eu me pergunto: O que faz com o homem o seu trabalho? Em que tipo de pessoa se transforma aquele que dedica dez anos ou mais de sua vida a trabalhar, com irretocável perfeição, uns poucos blocos de mármore? Há tantas implicações nisto! Que visão de mundo há nessa pessoa? Que valores a guiam? De que forma pensa o tempo de sua passagem inexorável? De que maneira se relaciona com a vida?</p>
<p>Tudo isso faz com que entremos em contato com questões existenciais profundas. Não é por acaso que praticamente todos no grupo estão sonhando mais do que o habitual. E esse contato com símbolos, valores e a vida que pulsa e se manifesta de formas diferentes daquelas a que estamos habituados, expande os limites de nossos paradigmas de forma dramática.</p>
<p>Assim como o trabalho transforma aquele que o realiza, esta viagem vai cinzelando em cada um novas formas e modelos, muito mais ricos e abrangentes do que nunca antes experenciados.</p>
<p>Namastê</p>
<blockquote><p><em>-Prof. Andrês De Nuccio</em></p></blockquote>
<p><img src="http://www.isvara.com.br/blog/grupo2-almocoemOrcha33.jpg" alt="Almoçando no vilarejo de Orcha" /></p>
<p><strong>Templos e esculturas em Orcha e Kajuraho - 19/01/2005</strong></p>
<p>Ontem visitamos Orcha, a caminho de Kajuraho. Cidade fora do circuito principal do turismo, Orcha nos ofereceu um contato ímpar com o povo local. Percorrendo as ruínas de um enorme palácio de vários andares e cheio de corredores estreitos, enquanto dezenas de pessoas nos acompanhavam olhando-nos com a mesma curiosidade com que nos olhávamos para elas. Certamente se dispusessem de máquinas fotográficas, teriam tirado de nos tantas fotos quanto tiramos delas!</p>
<p>Hoje visitamos os templos de Kajuraho, conhecidos no roteiro turístico como templos eróticos. Eles de fato apresentam entre suas muitas esculturas, com que as paredes externas dos vários templos estão recobertas, figuras em diversas posições sexuais. Mas uma vez que o seu significado simbólico é compreendido, a apreciação do seu valor se torna muito mais profunda e o seu significado ganha uma dimensão digna do trabalho minucioso dos artistas que trouxeram à manifestação tamanhas obras arquitetônicas.</p>
<p>Bem cuidados, rodeados de belos jardins, os templos convidam à meditação e à vivência interior. Figuras representando diferentes aspectos da Inteligência que rege o universo, esculpidas na pedra, parecem falar ao coração do devoto. Todos no nosso grupo relataram o impacto marcante desta visita. Ao entrar nas câmeras interiores dos templos, o visitante desperta para a intensa sensação de estar diante de uma presença de tremenda força; ou - dito com palavras jungueanas - liberam o poder luminoso de arquétipos universais que nos enriquecem e fortalecem com a sua presença integradora.</p>
<p>O tema da dualidade criadora, apresentado artisticamente como a dança sensual do feminino e do masculino é um tema recorrente em todas as culturas e se delineia com traços fortes nas esculturas de Kajuraho.</p>
<p>O observador superficial encontrara posturas eróticas. Mas, se olharmos à luz da busca espiritual - base e fim de toda arte significativa - descobrimos no jogo das dualidades, a revelação de eterna unidade da vida; nos jogos amorosos dos amantes, a Presença Única que tudo permeia; nas agitações dos desejos, o poder Único; na aparente multiplicidade, a Vida Una.</p>
<p>Devo dizer que, ao ver o quanto esta viagem enriquece, com suas incríveis experiências, a cada um dos membros do nosso grupo, sinto-me tremendamente feliz e merecidamente recompensado pelo trabalho de organizar a viagem, cuidar do grupo e compartilhar com eles todo o que sei sobre o caminho espiritual tão presente em cada cidade, em cada vilarejo, em cada templo e em cada aspecto da vida na Índia.</p>
<p>Namastê.<br />
<em></p>
<blockquote><p>-Prof. Andrés De Nuccio</p></blockquote>
<p></em></p>
<p><strong>Seguindo viagem: a cidade sagrada - 20/01/05</strong></p>
<p>Escrevo de Varanasi, chamada Benares pelos ingleses e citada nos textos antigos como Kashi, a cidade da luz -luz da consciência, luz da sabedoria, luz da compreensão espiritual. Esta é a cidade mais sagrada da Índia.</p>
<p>Ela é para os hindus o que a Meca é para os muçulmanos, Jerusalém para os judeus e Roma para os cristãos. Aqui chegam peregrinos de todos os lugares da Índia para tomar um banho purificador nas águas do Ganges. Muitos idosos chegam depois de longas viagens - muitas vezes feitas a pé - para morrer na cidade, pois se acredita que quem morre em Varanasi, não volta a encarnar.</p>
<p>Como a luz do conhecimento destrói as trevas da ignorância, em Varanasi Deus é representado por Shiva ( Shiva é o nome que Deus recebe quando exerce a função de destruição). Ele aparece nas imagens dos templos, nos postais, nas roupas, nos nomes das lojas, em todo lugar! Cabe aqui esclarecer que os hindus não têm muitos deuses, como normalmente se pensa. Eles entendem que há um único Deus, mas que, na medida que ele desempenha diferentes funções, pode ser representado de formas diversas. A mesma coisa acontece conosco: usamos roupas, penteados, tons de voz, atitude diferentes quando estamos exercendo papeis como o de pai, esposo, chefe, filho, estudante ou quando estamos fazendo faxina. Assim, mesmo que se apresente de formas muito diferentes apenas uma única pessoa está por trás das diferentes aparências.</p>
<p>A cidade parece ter dois papeis principais. Quando a visitamos de tarde, vimos o seu papel administrativo: na enorme agitação de suas lojas, nas ruas congestionadas com todo tipo de veículos, no movimento intenso de milhares de pessoas, no frenesi do cotidiano. Ao amanhecer, porém, ela surge em seu papel, religioso no qual a vida espiritual surge com todo o seu esplendor. Por isso, antes da saída do sol já estávamos à beira do rio para, de um barco, observar a chegada dos peregrinos, devotos e religiosos e suas abluções matinais. A água do rio estava muito fria, pois a temperatura hoje às 6 da manhã era de aproximadamente 10 graus, mas o fervor religioso que é a aura desta cidade, parece aquecer as pessoas que mergulham em suas águas. </p>
<p>O rio tem o papel do Único Deus, por isso ele é visto como a deusa Ganga; ou, mais ainda, como um fluxo de conhecimento. Assim, ao tocar ou mergulhar no rio com uma altitude reverente, o devoto sente-se como que tocando o conhecimento e, por isso, sente-se purificado da macula da ignorância. Através desse ritual, dessa dramatização repetida inúmeras vezes, ele vai impregnando a sua mente com a firme convicção de que o valor principal na vida humana é o conhecimento espiritual e que a entrega a ele é a solução definitiva para seus problemas humanos. </p>
<p>Todo dia, ao entardecer, se faz uma Puja, uma cerimônia religiosa, onde se reúnem centenas de pessoas para acompanhar os brahmanes que oficiam os rituais. Acompanhamos a cena, cheia de cores, sons e perfumes - de novo a beira do Ganga - e gastamos mais um filme de fotos! Enquanto navegávamos, o sol foi surgindo lentamente, tingindo de tons dourados e laranjas as águas do rio - ou deveríamos dizer, as vestes da deusa. Com as máquinas fotográficas e com o nosso coração registramos esse momento tão ao especial: O sol nascendo na cidade luz e iluminando o fluxo de conhecimento e o olhar do que estavam presentes.</p>
<p>Daqui a algumas horas vamos a Sarnath. Esta pequena cidade fica a meia hora de Varanasi. Foi nela que Buda deu seu primeiro sermão, dando<br />
nascimento ao Budismo. Conto sobre ela na próxima carta.</p>
<p>Namastê</p>
<blockquote><p><em>-Prof. Andrés De Nuccio.</em></p></blockquote>
<p><img src="http://www.isvara.com.br/blog/grupo2_grupocomswamis.jpg" alt="Em Rishikesh, com os Swamis Suddhabodhananadaji e Brahmavidyanandaji" /></p>
<p><strong>Na terra onde nasceu o budismo - 24/01/2005</strong></p>
<p>O entardecer encontrou o nosso grupo em Sarnath, percorrendo as ruínas de antigos mosteiros budistas e caminhando em volta do monumento (stupa) que marca um evento de importância capital ocorrido há mais de 2.500 anos. De fato, nesta pequena cidade, a poucos quilômetros de Varanasi (antiga Benares) foi onde o Budismo teve nascimento.</p>
<p>A história começa com um rei, a quem o sacerdote profetiza que seu filho iria renunciar ao modo de vida real para buscar a verdade espiritual. Muito angustiado pela perspectiva de perder o seu filho, o rei o mantêm dentro de seu enorme palácio cercando-o de intensos prazeres. O destino, porém, com mão firme, faz com que o príncipe encontre um doente, um idoso e um morto. Chocado pela descoberta dessas circunstâncias que ignorava existirem - uma vez que seu pai as escondera dele - o príncipe a tudo renuncia e passa a viver uma vida de extrema penitência.</p>
<p>Depois de muitos anos de práticas ascéticas ele conclui que nada significativo alcançou nem pela via do prazer nem pela via da privação. Assim, ele encontra a luz e o equilíbrio no caminho sem extremos, no ´Caminho do Meio´, como viria a ser conhecida a sua doutrina. Eis, porém, que tendo partilhado seus anos de prática com vários ascetas, desejou comunicar-lhes seus insights. E foi exatamente aqui, em Sarnath, no século 6 a.C. que ele transmite aos seus amigos as suas descobertas. Nesse encontro, ele pronuncia as verdades fundamentais do que viria a ser conhecido como Budismo. No local dessa primeira prática após a sua iluminação, hoje existe uma stupa - uma construção circular - exatamente no local onde Buda proferiu o seu primeiro discurso. Essa fala marca o nascimento do Budismo.</p>
<p>Assim, foi muito especial poder caminhar envolta da stupa com consciência do evento que ela relembra. A visita se tornou mais interessante ainda pelo fato de ter ocorrido num dia em que budistas de diversas partes do mundo estavam presentes em Sarnath, prestando suas homenagens. Assim pudemos apreciar o brilho com que a disciplina dota os monges vestidos de vermelho, a devoção de pessoas simples. Vimos vistosos idosos em suas roupas tibetanas, vimos japoneses com suas câmeras modernas, vimos indianos hinduístas unindo-se ao arco-íris de raças e culturas reunidas para prestar a sua homenagem àquele que teve como mérito máximo ter dedicado sua vida à conquista da iluminação e ao compartilhar de suas benesses.</p>
<p>Além do templo central, vimos a árvore - neta daquela árvore sob cuja sombra Buda atingiu a iluminação, e percorremos as ruínas de templos budistas destruídos durante a invasão muçulmana.</p>
<p>Antes de voltar ao hotel para nos deliciar com os deliciosos pratos oferecidos pelo luxuoso hotel em que estamos hospedados, conhecemos, no museu de Sarnath, peças budistas, jainas e hinduístas resgatadas na região da destruição trazida pelas invasões muçulmanas de alguns séculos atrás.</p>
<p>A chegada da noite trouxe a sensação gostosa de um dia vivido com intensidade. No começo dela escrevo estas linhas de um pequeno cyber-cafe em algum lugar de Varanasi.</p>
<p>Depois de um reparador descanso, pegaremos amanhã o nosso vôo para Delhi. De lá partiremos para Rishikesh, aos pés dos Himalayas, perto do nascimento do Ganges, lugar de Sadhus, Swamis e ashrams. Fico pensando quão longa será, ao voltar ao Brasil, a adaptação ao ritmo habitual de nossas vidas depois de ter vivido tantas coisas, com tanta intensidade e em tão pouco tempo. Mas essa é uma outra historia&#8230;</p>
<p>Namastê.</p>
<blockquote><p><em>-Prof. Andrés De Nuccio</em></p></blockquote>
<p><strong>A última carta da viagem - 29/01/2005</strong></p>
<p>Escrevo esta, a ultima carta desta viagem, procurando aquecer-me no compartilhar desta experiência, nesta manhã em que as montanhas nevadas dos Himalayas derramam o seu sopro frio sobre Kathmandu, a capital do Nepal.</p>
<p>Antes de chegar aqui e logo depois de visitar Varanasi, visitamos Rishikesh, a morada (kesh) dos sábios (rishis). Podem imaginar o contraste vivenciado ao sair de uma seqüência de quinze dias hospedados em hotéis cinco estrelas para entrar na austera simplicidade de um ashram indiano?<br />
Mas sem duvida o esforço valeu a pena. Pudemos acompanhar de perto a rotina de um ashram -que é o lugar onde, como antigamente, estudantes e professores convivem numa rotina de práticas e estudos espirituais diários.</p>
<p>E não apenas isso; tivemos aulas com o Swami Brahmavidyanandaji; eu ministrei algumas aulas sobre meditação e filosofia Indiana para o grupo; visitamos a cidade vizinha de Haridwar onde a cada 12 anos ocorre a Kumbha Mela (encontro de renunciantes de toda a Índia); vimos o lugar onde os rios Bhagirati e Alakhanda fundem suas águas de cores diferentes originando o Ganges; visitamos a caverna onde meditou o Sábio Vashishta, conversamos com pessoas que vivem a vida monástica e ainda, no último dia, oferecemos uma Bandhara. </p>
<p>E o que é isso? Bandhara é o oferecimento de comida para os renunciantes (sadhus). De fato, oferecemos um almoço (organizado pelo ashram) para cem sadhus. Eles encheram o ashram com suas presenças exóticas: Monges de longas barbas, de cabelos há anos sem serem cortados (devidamente condicionados dentro de um turbante), renunciantes de olhos brilhantes e de expressões que falam de experiências intensas na busca pela transcendência&#8230; </p>
<p>Saindo de Rishikesh, voamos para Kathmandu depois de uma reparadora estadia de volta aos hotéis de luxo em Delhi. Kathmandu é a capital do Nepal, pais hinduísta onde nasceu Siddartha Gautama -o Buda- e que, como a Índia, acolheu os budistas tibetanos que fugiram depois da invasão do seu país pelos chineses. </p>
<p>Foi uma grata surpresa ver, logo ao chegar, a limpeza das ruas e a organização do trânsito.</p>
<p>Aqui, visitamos templos incríveis e as estupas, que são construções budistas de forma aproximadamente cônica, erguidas para celebrar acontecimentos relevantes, ou como memoriais ou por guardarem em seu interior alguma relíquia valiosa. Caminhamos em torno delas junto com monges budistas jovens e idosos, de rostos nepalies e tibetanos. </p>
<p>Vimos belíssimas praças que datam de vários séculos atrás (hoje, patrimônio da humanidade), inclusive aquela em que foi filmado o Pequeno Buda de Bertolucci. </p>
<p>E falando de filmes, a sensação aqui, especialmente ao sairmos um pouco da parte central da cidade, é a de estarmos caminhando lado a lado com os personagens de filmes como Himalaya, Samsara e 7 anos no Tibet!</p>
<p><img src="http://www.isvara.com.br/blog/grupo2_temploshippieskathma.jpg" alt="Em Kathmandu, Nepal" /></p>
<p>Agora, faltam apenas alguns dias para voltarmos ao Brasil. Já começamos a soltar a saudade e todos nos permitimos falar das pessoas, dos cachorrinhos, do arroz com feijão, do calorzinho gostoso e de todas as coisas boas que nos aguardam no Brasil…</p>
<p>Penso que, como outras vezes, vai ser divertido me surpreender nos primeiros dias em Campinas com a falta de pimenta na comida, com a ausência das buzinas (na Índia todos buzinam para avisar que estão por perto, os caminhões e ônibus até tem escrito na traseira: “Por favor, buzine!”); ou com os carros circulando pelo lado contrário da rua (na Índia e no Nepal eles andam pelo lado esquerdo, como na Inglaterra)!</p>
<p>Volto para casa com a sensação gostosa de ter facilitado aos participantes da viagem um contato suave e profundo com a espiritualidade que permeia estes paises, amortecendo o impacto das coisas mais distantes da nossa cultura e chamando a atenção para a riqueza de significado de alguns gestos cotidianos. </p>
<p>Agora, paro de digitar por alguns segundos e me pergunto: de que forma isso tudo nos afetou? Passam-se mais alguns instantes e sinto em mim um pouco do murmúrio do Ganges, do silencio dos Himalayas, do brilho no olhar dos sadhus, da majestade dos palácios, da beleza inspiradora dos templos… E surge a clara certeza de que aqueles que estão voltando não são os mesmos que deixaram o Brasil há quase um mês. Como um bordado tibetano, ou um tapete da Cachemira nosso ser traz em si um desenho mais rico, com formas mais complexas e cores mais vivas.</p>
<p>Namastê</p>
<p><strong><em>-Prof. Andrês De Nuccio </em></strong></p>
<p><center></p>
<p><img src="http://isvara.com.br/imagens/logo.gif" alt="Logo do Isvara Instituto de Yoga" /></p>
<p><strong>Rua Bandeirantes, 318 - Cambuí<br />
Campinas - SP - Brasil</p>
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Telefone: (19) 3253-5422</strong></p>
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