Viagem dez/03-jan/04

O grupo se apresenta e expõe expectativas e objetivos para a viagem de 2004

A viagem à Índia vai se aproximando, os dias restantes para o embarque vão diminuindo, e a ansiedade, a vontade de conhecer esse novo mundo, vai ficando cada vez maior. Com as reuniões realizadas para tirar dúvidas e conhecer melhor o grupo, a sensação é de que esta experiência está cada vez mais próxima, e que de fato acontecerá. O preparar das malas também influi nesta sensação. Agora não se trata mais de algo abstrato, distante, um “gostaria de ir para a Índia”, mas um “vou”.

Na reunião preparatória, realizada no último dia 14, os integrantes do grupo se apresentaram, tiraram dúvidas, fizeram questionamentos e expuseram anseios, objetivos e expectativas com relação à viagem. Cada um nutre objetivos diferente. Há os que desejam uma maior busca espiritual, um engrandecimento da alma e da espiritualidade. Há os que vêem a Índia como interessante região para ser conhecida turisticamente, seus contrastes, suas cores, seus aromas e sabores, enfim, uma nova realidade. E há ainda os que buscam uma mescla dessas experiências, desejosos tanto da ampliação da espiritualidade quanto do aspecto turístico.

Visitar a Índia para alguns não fazia parte do projeto de vida, sendo esta viagem uma oportunidade não esperada anteriormente. Já outros há muito tempo desejavam ir, e a viagem organizada pelo Isvara é que está proporcionando a realização deste sonho. É o caso da professora de yoga Luzia Alves Júlio, que desde que começou sua prática de yoga quis conhecer o lugar onde tal prática se desenvolveu. “É um desejo muito antigo”, explica ela. “Sinto que meu coração está me chamando. Quero mergulhar naquela cultura e naquela espiritualidade”. Para a professora Luzia a alegria é dupla: além de poder visitar a Índia, leva seu filho Sérgio Henrique Júlio para compartilhar esta experiência. “Ele também se interessa pela índia. Para mim vai se ruma alegria dobrada!”, diz sorrindo.

Embora haja diferenças com relação aos objetivos e buscas nesta viagem, um aspecto é praticamente consensual: ela será inesquecível, rica, proporcionando uma ampliação de nossos conceitos, idéias, valores, visões de mundo, além de possibilitar o contato com uma cultura e um povo muito diferentes do que temos no Brasil, com aromas, cores, costumes, gostos, rituais, crenças, desejos e anseios particulares deste fascinante país chamado Índia.

-Adonay De Nuccio

O primeiro dia na India!

Depois de uma longa e cansativa viagem, alternada entre aeroportos e aviões, pisamos em solo indiano. Chegávamos à cidade de Delhi, onde ficaríamos até a manhã do dia seguinte. No hotel – excelente, diga-se de passagem – o grupo foi recebido com toda pompa que merecia: coroas de flores e suco de frutas. Ficariamos uma hora e meia, tempo para um banho e uma rápida reposição de energias.

De micro-ônibus fizemos um City Tour pela parte mais nova da cidade, New Delhi, cosntruída na época da presença inglesa na Índia, por volta do ano de 1940. Após ver algumas edificações oficiais, teríamos o primeiro dos muitos contatos com a espiritualidade existente neste país: visitaríamos o Bahai Temple, tambem conhecido como Templo de Lótus. Feito todo em mármore branco, no formato de uma flor (de lótus) com 27 pétalas, o templo impressionou pela beleza, emoldurada ainda mais pelo vermelho sol que raiava no céu.

Uma longa caminhada levava da entrada até o templo propriamente dito, e nela inúmeros turistas e indianos faziam verdadeira peregrinação. Para chegar perto do templo, como acontece nos demais estabelecimentos religiosos da Índia, tivemos que tirar os sapatos.

Adonay - no hotel Taj Mahal, em Delhi

O inesperado frio de Delhi, agravado pelo frio do piso que pisávamos descalços, embora incomodasse, não tirou o brilho desta maravilhosa obra arquitetônica. Estávamos sentindo sua imponência, sua beleza, e aos poucos íamos captando o ar de magicidade, de contemplação e de alumbramento que nos acompanharia ao longo da viagem e dos lugares que visitaríamos.

Finalmente começávamos nossa tão esperada vivência neste incrível país. Finalmente estávamos na Índia.

-Adonay De Nuccio

A turma preparadíssima para curtir o Réveillon!

A Suntuosidade dos Marajás

A Índia hoje já não é mais um país dominado por marajás, mas a obra deles e sua importância no passado estão presentes até os tempos atuais. Existem hoje vinte e duas famílias de Marajás, mas não com o mesmo poder e influência de antes; são mais descentes daqueles que eram portadores de incrível riqueza e impressionantes palácios.

As construções onde moravam são gigantescas, suntuosas, imponentes, repletas de grandiosidade e beleza estética. O grupo do Isvara que está visitando a Índia pôde conhecer e contemplar muitos desses palácios. Em Jaipur, para chegar ao Amber Fort, que pertencia a um Marajá, tivemos que percorrer a subida montados em elefantes. Quatro pesssoas ficavam em cada animal. Uma sensação absolutamente diferente e inesquecível. Nos vinha uma mescla de excitação e medo. A altura e a precária proteção de que dispunhamos eram suficientes para um considerável frio na barriga, mas talvez pela única vez em nossas vidas, subimos uma longa rampa sobre elefantes!

As residências dos marajás seguiam uma linha arquitetônica, mas cada uma tinha suas particularidades, suas belas peculiaridades. Desde um corredor inteiro coberto com pequenas pedras que imitavam espelhos, até paredes inteiras feitas de mármore e pedras preciosas. Em todos os palácios que visitamos notava-se uma particular atenção para com o conforto e deleite do Marajá e sua familia. Eram elaborados sistemas de resfriamento e umidificação do ar para os períodos de temperaturas elevadas, e até mesmo perfumação de ambientes com ervas naturais. Pareciamos entrar em um periodo mágico, em um conto de príncipes e princesas, de opulência e suntuosidade: os palácios dos Marajás.

Para ilustrar o periodo e a vida dessas pessoas vale contar um curioso episodio. O Maraja de Jaipur, a cidade rosa, foi certa vez para Inglaterra. Mas ele achava que a agua londrina era poluida, e nao poderia se submeter a tomar tal agua. Mandou entao fabricar os dois maiores jarros de prata do mundo, e enchelos da agua sagrada do rio Ganges para que ele a utilizasse. Durante os dois meses em que esteve hospedado em Londres, o Maraja bebeu e se banhou com aguas do Ganges.

-Adonay De Nuccio

A arte da barganha

Pelas ruas das cidades turisticas da Índia inúmeros estabelecimentos comerciais, barraquinhas, ou simplesmente vendedores ambulantes se empenham à caça de turistas afoitos por comprar. A beleza dos produtos oferecidos e os baixos preços são um atrativo indiscutível, mas antes de qualquer compra, há que se esmerar em uma arte: a arte da barganha.

A negociação é elemento instrínseco às vendas aquí na Índia. Os valores oferecidos pelos vendedores são sempre muito acima dos que o comprador consegue com um pouquinho de choro. Algumas vezes o valor final chega a ser oito ou dez vezes inferior. É só dar as costas e o vendedor vem correndo, tentando a todo custo reconquistas o cliente.

As situações são por vezes engraçadas, e torna-se uma verdadeira disputa entre quem vende e quem compra para ver qual dos dois consegue uma vantagenzinha um pouco maior, consegue um desconto ou um lucro que valha a pena, e para isso vale fazer caras, fingir desinteresse, batalhar até conseguir o preço desejado.

Estatuinhas talhadas em madeira representando Ganesha ou Shiva, colchas de cama, capas de almofadas, pulseiras, livros, vasos, tapetes, postais, caixas de mármore, elefantes de pedra, colares, são apenas alguns dos muitos produtos que encontramos aqui.

Barganhar, negociar, lutar por um preço melhor são praticas não apenas utilizadas, mas necessárias para realizar compras que valham a pena. Não se trata de desrespeito com os turistas ou coisa do tipo, mas sim de uma arte que já passou a fazer parte da cultura, e que deve sempre ser utilizada antes de fechar um negocio na Índia.

-Adonay De Nuccio

Os indianos e os animais - Índia/2004

Ao chegarmos à Índia uma característica bastante particular deste país chamou a atenção: a presença de vacas nas ruas, misturadas à gente e aos carros – e tendo prioridade no trânsito. Muitos de nós já haviamos ouvido falar que na Índia as vacas são tidas como sagradas, mas presenciar a relação dos habitantes com esse animal vale mais que qualquer descrição.

Muitos aqui são vegetarianos, e os que não o são comem geralmente frango ou carneiro. A carne bovina nao é uma iguaria utilizada na culinária deste país.

Adonay - Elefante talhado em madeira

A vaca no entanto não é tratada com devoção divina ou como um deus encarnado, como alguns de nós poderia pensar. Elas são apreciadas por sua grande utilidade. Os indianos usam quase tudo que a vaca produz quando viva: leite, e à partir deste iogurte, manteiga (ou ghee, como é conhecida aqui) queijo, e até mesmo as fezes, que misturadas com palha servem de combustível para fornos, principalmente nos lares rurais.

Passando pelas estradas que ligam as cidades que visitamos era possível ver pela janela do ônibus inúmeros círculos amarronzados repousando nos telhados das casas. Eram justamente esta mistura de fezes e palha, secando para ser usada. Por proporcionar tantos benefícios ao homem, ela, a vaca, é tida como o modelo da mãe que tudo dá, e entao considerada sagrada e assim respeitada.

Os bois tambem não são sacrificados, e sim utilizados para puxar carroças e ajudar em trabalhos rurais, graças à sua força.

Outro animal que encontramos na Índia em alguns dos lugares que percorremos são os macacos. Geralmente de cara vermelha e pelo marrom claro, quase bege, eles estão presentes em pontes, nas estradas, em parques, em templos. Em um dos templos que visitamos em Rishikesh, no qual tivemos que andar de teleférico para alcançá-lo, uma situação curiosa acontecia. Muitos dos que visitam esse lugar religioso levam uma oferenda, que é vendida perto da entrada do teleférico. Fazendo parte desta oferenda está uma bolsinha com uma espécie de pipoquinha doce, muito apreciada pelos simpáticos macaquinhos. Assim sendo, eles esperam os visitantes que chegam com a sacolinha plástica, ficam à espreita, observando atentos, e num momento de distração, avançam com toda velocidade, rasgam a sacolinha e pegam o saquinho com a pipoca.

Ver animais (vacas, macacos, porcos, passarinhos, esquilos, cabras, cachorros) soltos e misturados às pessoas, ao mesmo tempo que impressiona, leva a um questionamento e admiração pela pacífica convivência e interação entre homens e bichos. À parte a sacraliadde ou não da vaca, a violencia contra é muito menos presente. São eles tratados como co-habitantes e assim respeitados.

-Adonay De Nuccio

Grupo am Agra, na frente do Taj Mahal

O Encontro com o Palácio do Amor

O amor constrói, move montanhas, e marca a historia de toda uma nação. A construção da Índia mais conhecida em todo o mundo foi também consequência do amor. O imperador Shahjahan, da cidade de Agra, uma das três que compõem o triângulo de ouro ou triângulo dourado, era casado com três mulheres: uma muçulmana, uma cristã, e uma hindú, mas era por esta última que nutria maior amor.

Quando ela morreu, ele prometeu a si mesmo construir algo inesquecível e inigualável em memória de sua amada, onde ela seria enterrada.

Com o mais branco e resistente mármore da Índia, pedras importadas de outros paises, e um perfeccionismo ímpar, Shahjahan mandou contruir o Taj Mahal.

O grupo do Isvara visitou esta maravilhosa obra arquitetônica e estética. A emoção ao ver o monumento pelo qual a Índia é mais conhecida em todo o mundo é diferente em cada um que visita o Taj. No nosso grupo alguns choraram, outros ficaram com os olhos marejados, outros com um nó na garganta, outros apenas se calaram e contemplaram.

Quatro grandes portões, verdadeiras obras de artes, levam à entrada do Taj. Um em cada ponto cardeal. Extensos jardins, espelhos dágua e duas construções laterais ao mausoléu embelezam ainda mais o que já é de uma beleza desigual.

Taj Mahal - O mármore muda de cor conforme a luminosidade

Pouco a pouco cada membro do grupo ia caminhando em direção ao Taj, observando cada detalhe, sentido cada momento. Estar vendo tal obra com os próprios olhos é algo que muitos sonhavam, e tiveram a oportunidade de realizar.

O Taj Mahal é todo detalhado, cuidadosamente decorado com flores feitas de pedra talhadas incrustadas no branco marmore. Ao redor de cada lateral e em seu interior notam-se inscrições de passagens do Alcorão, já que o imperador Shahajan era muçulmano.

Dentro da construção estão, às vistas dos visitantes, as duas réplicas dos túmulos da esposa hindu do imperador e dele próprio. Isso porque após terminada a construção do Taj, ele teria planejado construir um mausoléu para ele também, igual ao Taj Mahal, mas em mármore negro. Mas o filho de Shahjahan , preocupado com as finanças da familia e num ato violento, encarcerou o pai no Forte de Agra (que o grupo tambem pôde visitar), em um espaço de aproximadamente 20 metros quadrados, desde o qual conseguia ver a obra que construira para sua amada. Ele morreu alí, alguns anos depois, e o filho tornou-se um dos mais sanguinários imperadores da história de Agra.

O Taj é o palácio do amor; por ele foi construído e graças a ele a Índia tem milhões de turistas anualmente. O amor que há tantos anos fez o Taj Mahal, continua presente na vida dos indianos. Ver o resultado de tamanho amor é uma experiencia que jamais esqueceremos.

Taj Mahal - na cidade de Agra

-Adonay De Nuccio

Um contato após visitar Varanasi, a “Meca” dos hindus

Prezados Internautas:
Estamos voltando do incrível passeio a Varanasi (chamada Benares durante a dominação britânica) e finalmente encontramos tempo e condições para compartilhar com vocês um pouco da riquíssima experiência que é mergulhar numa cultura tão diferente da nossa.

Como foi noticiado neste site e no nosso Jornal do Yoga , tínhamos planejado publicar diariamente relatos da nossa viagem. Mas, na prática, isso não foi possível porque quando tínhamos algum tempo livre não tínhamos acesso à intrnet e quando tínhamos possibilidade de conectarnos à internet as atividades e os passeios e a descoberta deste mundo exótico não nos deixava tempo disponível.

Antes de mais nada, cabe esclarecer que os textos desta seção carecem de acentos porque eles não estão disponíveis nos computadores indianos.
A viagem foi organizada de modo que os participantes pudessem ter um contato gradual com a cultura Indiana. Assim, quando chegasse o momento de defrontar-se com os aspectos mais chocantes dessa sociedade, pudesem fazê-lo com boas condições de absorver o natural impacto emocional.

Por isso, depois da chegada a Delhi e de uma reparadora estadia no melhor hotel da cidade (O Taj Palace) visitamos na parte nova da cidade – muito semelhante a qualquer cidade ocidental- o Templo do Lótus, dando um início auspicioso à nossa viagm. Foi depois disso que partimos em direção a Jaipur, a cidade dos grandes palácios, em que pudemos apreciar o esplendor e a pompa dos Marajás.
O próximo passo foi conhecer uma das sete maravilhas do mundo, o famoso Taj Mahal, na cidade de Agra. A beleza dessa obra, fruto do amor humano, comoveu os participantes literalmente até as lágrimas.

Em cada cidade e no trajeto de uma a outra, entramos em contato com a cultura e os costumes locais, vivendo emoções diversas e contraditórias, num agridoce expandir dos nossos paradigmas.
Foi então, depois de termos visto as maravilhas que o ego limitado é capaz de criar em sua sede de poder ou movido pelo impulso de seus apegos, que fomos à cidade da Luz, da Sabedoria, do Conhecimento Espiritual. Varanasi, às margens do Ganges, nos permitiu conversar com peregrinos, ver cruamente a impermanência humana na cremação dos mortos, e entrar num mundo de sensações inesquecíveis ao caminhar por ruelas legitimamente milenares de três metros de largura saturadas com as cores, os sons e os cheiros de uma multidão de pessoas circulando entre vacas, vendedores de especiarías, roupas e mil outras coisas!

Em cada lugar nos hospedamos em excelentes hotéis para que pudéssemos descansar física e emocionalmente do desgate produzido pela adaptação a um ambiente sensorial e culturalmente tão diferente.

Agora, depois de uma nova parada no Taj Palace Hotel, em Delhi, partiremos para Rishikesh, a cidade dos Sábios. Alí, hospedados num ashram, poderemos ter aulas com Swamis à beira do sagrado Ganges como acontece desde tempos imemoriais, poderemos também visitar templos, meditar onde gerações de yogues o fizeram no decorrer dos séculos; poderemos, enfim, entrar em contato com a espiritualidade milenar revivida na presença fascinante de sadhus, yogues e renunciates.

Na volta estaremos disponibilizando as maravilhosas fotos que tiramos. É muito dificil, dado a lentidão da internet na Índia, fazermos isso durante a viagem.

Possam as benções que inundam nossos corações chegar a vocês revigorando seus sonhos mais nobres!

Namastê,

-Prof. Andres

Uma última mensagem, no ashram, aos pés dos Himalayas

Chegamos à etapa final da nossa viagem à Índia. Rishikesh (que significa a cidade dos Sábios) nos recebeu com um céu azul e uma temperatura muito agradável -em comparação com a névoa fria que nos acompanhou em nossa visita a Jaipur, Agra, Varanasi e Delhi.

Nos hospedamos no ashram de Swami Dayananda. Situado à beira do Ganges, com quartos com água quente (não tão comuns por aqui) e uma construção recente, o local oferece condições adequadas para a busca introspectiva.

No ashram podemos participar de cerimônias que acontecem às 5 da manha e às 6 da tarde, podemos contemplar o Ganges à luz da lua cheia -um espetáculo audiovisual inesquecível!- e conseguimos que o Swami, que está ministrando para os residentes um curso de três anos, encontre um espaço em sua lotada agenda para nos ministrar aulas todos os dias às 8 da noite. Seu nome é Brahmavidyananda. Ele é de uma doçura encantadora e de uma precisão na exposição do Ensinamento Tradicional que encanta o intelecto mais exigente.

Rishikesh é diferente de todas as outras cidades. Para começar, sadhus, swamis e renunciantes podem ser encontrados o tempo todo ao caminhar pelas ruas e ruelas, dividindo o espaço com as sempre presentes vacas, os carros, os caminhões (que parecem ter vindo de alguma época anterior a 1950), as bicicletas, os triciclos, as motos, as motocas, os porcos, os cachorros, os rikshaws (algo parecido com triciclos motorizados), as carroças, os carrinhos de vendedores ambulantes, os carros de vendedores de frutas, os carros puxados por bois e certamente mais algumas coisas que fogem de minha lembrança neste momento.

Em Rishikesh e suas proximidades existem mais de uma centena de ashrams e templos e lugares de peregrinação. Do ashram, saímos em carros alugados para fazer diversos passeios. Primeiro nós fomos até a Vashishta Cave, uma caverna silenciosa onde o famoso Sábio Vashishta meditou por muitos anos. Além dessa caverna, outra -de frente para o Ganges - oferece um lugar de impressionante silêncio para a prática da meditação. Depois de meditar por algum tempo, o grupo pôde caminhar pelas margens de areia clara do Ganga (como é chamado o Ganges pelos indianos).

Num outro dia fomos visitar vários templos na cidade vizinha Haridwar. Ela é uma das cidades mais sagradas da Índia. Nela, a cada 12 anos, ocorre a Kumbha Mela -encontro que reúne milhões de peregrinos vindos de toda a Índia. Percorremos vários templos, nos prostramos aos pés do Swami Tarananda Giri, mestre de Swami Dayananda e, no final da tarde, participamos do Arati, a cerimônia tradicional do fogo. Junto a multidão de devotos, sentados em escadarias à beira do Ganga entre rufar de tambores, alguns foguetes, o som de conchas e inúmeros sinos vimos os sacerdotes erguerem para a multidão, desde diversos locais, as chamas que simbolizam a luz da Verdade, a luz do Conhecimento. Levantamos as nossas mãos em direção ao fogo e depois as colocamos sobre os nossos olhos, como que dizendo: “Senhor possa a luz da Verdade iluminar minha visão, possa eu ser capaz de ver a Tua presença em cada evento da minha vida…”

Nessa noite, ainda emocionados pela vivência, voltamos para encerrar o dia com uma magistral aula de Swamiji.
Ainda fomos para o lugar onde dois rios descendo dos Himalayas se unem dando início ao Ganga, que desde esse lugar percorre toda a Índia em direção ao Leste, encontrando o mar junto à cidade de Calcutá (hoje chamada Kolkata). Nesse encontro sagrado -que simboliza o ponto de equilíbrio de todas as polaridades - alguns dos membros do nosso grupo tomaram um banho inesquecível tanto pelo especial do local quanto pelo frio das águas! Cantamos alguns mantras e um brâhmane fez uma puja (cerimônia) para mim, na qual -após repetir os mantras que ele entoava - me abençoou com a água do rio sagrado.

Adonay - com Sadhu de longos cabelos

Um grupo de cinco pessoas escolheu subir os Himalayas (Rishikesh está ao pé dos Himalayas) e para isso providenciamos o aluguel de um carro e um guia que falasse tão bem o inglês quanto o hindi. Numa viagem de dois dias elas percorreram caminhos de montanha, cheios de curvas e mais curvas, beirando precipícios, para ver os picos nevados e poder se prostrar em templos e lugares onde muitos Sábios deixaram suas pegadas de conhecimento.

Faltam dois dias para iniciarmos o nosso retorno. Ainda faremos alguns outros passeios e teremos mais aulas de Vedanta, às margens do Ganga, aos pés dos Sábios, do jeito que lemos nos livros, do jeito que foi por milhares de anos!

Após uma parada em Delhi, embarcaremos para o Brasil, com as malas carregadas de presentes e milhares de fotos. Todos concordamos nesse ponto: Vai ser impossível transmitir aos nossos amigos e familiares a experiência que vivemos. Uma foto não carrega nem um décimo da intensidade de cores e cheiros e formas e sons e costumes que é a Índia.

Mas certamente, ao ver cada foto, uma onda emocional irá nos lembrar que a vida é muito mais rica do que pensávamos… Ao fechar os olhos, agora podemos lembrar o som do Ganga e ele nos irá acalmar nos momentos de dificuldades… E a doçura do Swami que nos abençoou compartilhando um pouco de sua sabedoria será fonte de cura pelo resto de nossas vidas.

Fico feliz de ter possibilitado essa vivência para um grupo de pessoas maravilhosas, que certamente voltam mais plenas e mais maduras.

Namastê.

As águas límpidas - do Ganges em Rishikesh

-Prof. Andrés

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